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Livro sobre relações amorosas vai ser lançado hoje em São Luís

Livro “A prateleira do amor” busca auxiliar na compreensão de relações amorosas. Imagem: Reprodução.

A doutora em psicologia clínica Valeska Zanello vai lançar hoje (16) em São Luís a versão de bolso “A prateleira do amor: sobre mulheres, homens e relações” pela Editora Appris. O livro tem linguagem não técnica com a proposta de facilitar o acesso de pessoas ao conteúdo e, em especial, de mulheres, grupo que constantemente (e sem entender porque) se queixa das vivências na vida amorosa.

O lançamento vai acontecer às 15h, na Universidade Ceuma (Rua Anapurus, 1 – Renascença ll), mas também tem lançamento agendado para Maceió (AL), no dia 26 de novembro, às 16h30, no Centro Universitário Maurício de Nassau (Rua José de Alencar, 511 – Farol).

O livro pode ser adquirido no local pelo valor de R$ 29,90.

Sobre o livro

Capa do livro. Fundo azul com letras amarelas e brancas. Também existem manequins com formatos diferentes de corpos de mulheres.
Capa do livro. Imagem: Assessoria.

As mulheres são maioria em tratamentos para ansiedade e depressão. Com mais de 20 anos de experiência em clínica e pesquisa em psicologia, Valeska acredita que não é possível falar de saúde mental sem falar de gênero.

“A sociedade prepara os meninos para a vida e as meninas para o amor. Por isso é muito comum que mesmo uma mulher bem-sucedida profissionalmente, com dinheiro, com fama, seja questionada antes de qualquer coisa sobre a sua situação amorosa: ‘Casou? Tá namorando? Quando se separou? E aí, tem um paquera?’ É como se antes a gente tivesse que mostrar essa carta de apresentação que comprova o sucesso da nossa mulheridade”

A metáfora “prateleira do amor”, citada no livro original, exemplifica os diferentes modos de amar que mulheres e homens aprendem na nossa cultura. São elas que se subjetivam na prateleira e aprendem que seus corpos são o grande capital simbólico e matrimonial. A prateleira é marcada por um ideal estético, construído historicamente em nosso país: branco, louro, magro e jovem. Quanto mais distante desse ideal, pior a localização da mulher na prateleira e maior o preterimento afetivo sofrido, por parte dos homens.

Isto afeta diretamente mulheres racializadas, velhas, com deficiência, com corpos gordos ou mulheres indígenas.

“A chancela de sucesso da prateleira ou dessa forma de amar é ser escolhida. Afinal, o que aprendemos no processo de mulherificação é que só somos desejáveis se algum homem nos deseja”

Outra metáfora que Valeska utiliza para explicar o sexismo é a “A casa dos homens”, do pensador francês Daniel Welzer-Lang. A casa dos homens é o espaço em que objetificar mulheres é a regra e a broderagem é o modo de ação padrão.

Relacionamentos abusivos. Imagem: Assessoria.

“Vamos dar exemplos: quando um homem trai sua namorada/esposa, geralmente conta com o acobertamento de outros homens; ou, não é incomum, que homens mantenham amizade com outros homens que foram violentos com mulheres, ou que presenciem assédios sexuais por parte de amigos sem em nada lhes repreender. A misoginia é a argamassa que sustenta essa casa. Se quem avalia física e moralmente o valor das mulheres, na prateleira do amor são os homens, quem avalia os homens são os próprios homens, nessa casa simbólica”

O livro também pretende ser provocativo e promover o letramento de gênero. A composição foi planejada para deixá-lo o mais didático possível, usando, também, as tecnologias hoje disponíveis. Ao final de cada capítulo, há um quadro sintetizador das principais ideias abordadas. Assim, os leitores encontrarão, além do texto, várias indicações para que assistam vídeos no YouTube e leiam artigos, de modo a aprofundar os tópicos abordados.

“Não assistir não coloca em risco a compreensão dos temas. Mas ao assistir, além de ajudar a fixação da aprendizagem, abrirá outras reflexões, decorrentes do conteúdo apresentado. Além disso, há ilustrações com exemplos cotidianos sobre os conceitos em questão”

Quem é a autora?

Valeska Zanello. Imagem: Assessoria.

Valeska Zenello é graduada em Filosofia e em Psicologia pela Universidade de Brasília (UnB), onde também concluiu o doutorado em Psicologia, com período de pesquisas na Université Catholique de Louvain (Bélgica). É professora do departamento de Psicologia Clínica da UnB, onde também orienta o mestrado e o doutorado no Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica e Cultura.

Hoje, ela também é responsável pela coordenação do grupo de pesquisa “Saúde Mental e Gênero”, com foco em mulheres e interseccionalidade com raça e etnia.

Texto: Assessoria.

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