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Greve dos Rodoviários chega ao 8º dia e complica vida e bolso do morador da Grande Ilha

Cidadãos buscam alternativas para conseguir circular na capital e na Região Metropolitana

SÃO LUÍS — Com exatos oito dias após a deflagração da greve dos trabalhadores do  transporte público na Grande Ilha, perguntar sobre o retorno dos serviços virou algo corriqueiro entre os usuários do sistema, principais afetados pela interrupção. Ao longo desta quinta-feira (28), nada foi decidido por parte dos sindicatos envolvidos, Prefeitura de São Luís e Agência de Mobilidade Urbana (MOB) do Governo do Estado, que cuida do transporte semiurbano. A movimentação em torno de um entendimento ou consenso para uma possível resolução dos impasses entre as classes do setor rodoviário foi como a circulação dos ônibus coletivos da capital nos últimos dias: parada e sem qualquer tipo de registro.

Desde o primeiro dia de greve, os cidadãos da capital vêm buscando alternativas para driblar a ausência dos veículos. Uma dessas cidadãs é a Dona Elzenir, moradora do bairro Vila Embratel, que precisa desembolsar R$ 20 por dia para ir trabalhar, ressarcido por sua patroa. Sentada na parada em frente ao São Luís Shopping, no Jaracaty, Dona Elzenir – em suas próprias palavras – estava se aventurando, na espera de um carro-lotação para voltar para casa.

— Eu peguei um carro-lotação na Vila Embratel, saltei no Anel Viário e, de lá, peguei outro e vim pra cá. As coisas estão muito caras aqui em São Luís. Em relação à cesta básica, que tá tudo caro… só na misericórdia de Deus — disse.

Economia

Ao lado dos carros-lotação, veículos de aplicativo, táxis, micro-ônibus e mototáxis seguem como alternativas de transporte em meio à greve. Contudo, o aumento da demanda pelos serviços também elevou a variação de preços em diferentes pontos da capital. Werick, mototaxista que trabalha na região do Jaracaty, estranha a reação alegre de colegas de outros postos que comemoram o aumento de corridas durante esse momento complicado.

— Não quero me prevalecer em cima de ninguém, não. Quero fazer o meu e quero que as pessoas peguem suas conduções de acordo com a situação financeira de cada um. Eu quero é que volte logo ao normal — pontuou.

Por causa da paralisação, a presença de pedestres e possíveis clientes caiu na região do Centro, o coração comercial de São Luís. Em protesto, lojistas e demais membros da classe comerciária fecharam as portas de seus pontos de venda simbolicamente por uma hora na tarde de hoje, entre 13h e 14h. O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de São Luís, Fábio Ribeiro, chamou de “inércia” a falta de posicionamentos firmes em prol da retomada do transporte público na Grande Ilha.

— Isso não afeta apenas o comércio, isso afeta a saúde, a educação, muitas pessoas estão deixando de se vacinar porque não tem ônibus para ir até o encontro das vacinas. É um momento de protesto, que nós exigimos que o Ministério Público do Trabalho (MPT) bata o martelo e ratifique para que os ônibus voltem a circular na cidade de São Luís — comentou.

E agora?

A apresentação de mais uma possível solução para a resolução do impasse da classe rodoviária, garantido pela Prefeitura de São Luís na última segunda-feira (25), não ocorreu até o momento. Em nota divulgada à imprensa, a Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (SMTT) informou que “foi apresentada a proposta da criação de um auxílio emergencial (Cartão Cidadão) que vai garantir gratuidade de passagens para trabalhadores que perderam o emprego na pandemia e, com isso, fomentar o sistema de transporte público nesse momento de crise. A SMTT espera que tal medida auxilie no entendimento entre empresários e rodoviários”.

Marcelo Brito, presidente do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Rodoviário do Maranhão (Sttrema) disse que não foi convidado para nenhum tipo de reunião, mediação ou audiência entre as partes no dia de hoje.

Em nota, a Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos (MOB) informou que “existe um pleito financeiro das empresas de transporte para que possa ser concedido um aumento aos trabalhadores rodoviários. A MOB está estudando as melhores possibilidades para que haja a devida compensação de forma que possa manter a modicidade tarifária, amenizando assim os impactos aos usuários”. Vale ressaltar que este último posicionamento pode ser entendido como uma sinalização de pagamento de subsídio para as empresas do transporte público por parte do Governo, mesma pretensão da Prefeitura de São Luís.

Uma coisa é certa: o cidadão ludovicense amanhã vai acordar mais uma vez sem ônibus circulando pela cidade.

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