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Policiais envolvidos em assassinato de jovem com deficiência no MA são afastados

Hamilton César, de 23 anos, possuía deficiência intelectual e foi morto pela Polícia Civil dentro de sua própria casa no município de Presidente Dutra

Os três policiais civis envolvidos no assassinato de Hamilton César Lima Bandeira, jovem de 23 anos e com deficiência intelectual, foram afastados das suas funções até a conclusão do inquérito que investiga o caso. O pedido de afastamento foi protocolado pelo secretário de Direitos Humanos, Chico Gonçalves, que afirma acompanhar o caso junto à família. O governador do Maranhão, Flávio Dino, e a Secretaria de Segurança Pública (SSP) seguem em silêncio sobre o caso.

A Polícia Civil do MA, também por meio de nota, insiste na narrativa de que o jovem teria sido baleado apenas após atacar os policiais com uma faca. “Para conter a situação, policiais atiraram e um dos disparos atingiu o rapaz”, diz o texto. A família, contudo, nega a versão.

Entenda o caso

Hamilton virou alvo da polícia após fazer uma postagem em seu Instagram chamando Lázaro Barbosa, acusado de matar quatro pessoas da mesma família no começo deste mês, de ídolo – o que a instituição interpretou como apologia ao crime. Na última quinta-feira (17), os policiais o balearam três vezes dentro de sua própria casa, e em frente ao seu avô de 99 anos. Ele chegou a ser levado para a emergência, mas não resistiu.

De acordo com a nota divulgada pela Polícia Civil, os tiros aconteceram após o jovem atacar os agentes com uma faca. A família, contudo, desmente esta versão:

“Meu filho entrou no quarto e deitou na cama. Quando o avô dele sentou para comer, os policiais chegaram e perguntaram se tinha mais alguém na casa. Foi quando o avô levantou da cadeira e falou: ‘estou só eu e o meu neto’. Nesse momento, Hamilton se levantou da cama, abriu a cortina [o quarto não tem porta] e, sem poder dizer nada, tomou três tiros seguidos, sem ele poder nem se defender”, contou a mãe do rapaz, Ana Maria Lima Dias, de 41 anos, à reportagem da Ponte (clique aqui para acessar).

A mãe conta que Hamilton nunca havia feito nada a ninguém e que postava este tipo de conteúdo por conta de sua deficiência intelectual, para a qual o rapaz estava tentando conseguir os remédios controlados três dias antes do ocorrido. Ela ainda relata que, ao chegar na delegacia da Polícia Civil do Maranhão em Presidente Dutra, o deputado César Ferro se negou a registrar o Boletim de Ocorrência.

Nota da Polícia Civil

“A Polícia Civil do Maranhão (PC-MA) informa que na última sexta-feira (17), após denúncias de moradores, atendeu uma ocorrência de ameaça e apologia ao crime em uma residência no povoado de Calumbi.

Ao chegar no local, o suspeito não acatou a ordem policial, atacando os agentes com uma arma branca (faca). Para conter a situação, policiais atiraram e um dos disparos atingiu o rapaz, que foi socorrido pelos policiais, levado ao hospital com vida, mas acabou vindo a óbito.

A Polícia Civil do Maranhão lamenta profundamente o fato e se solidariza com a família. Pontua, ainda, que um inquérito policial foi instaurado para apurar as circunstâncias da ocorrência que será acompanhado pelo Ministério Público e que posteriormente será encaminhado ao Poder Judiciário.
A Secretaria de Estado de Direitos Humanos (Sedihpop) também está acompanhando o caso.”

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