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Grupo lança campanha de sensibilização sobre trabalho escravo no Maranhão

A campanha foi construída em formato radiofônico. Imagem: Reprodução/Getecom.

No próximo dia 23 de junho, às 10h, o GETECOM (Grupo de Estudos Trabalho Escravo e Comunicação), da UFMA (Universidade Federal do Maranhão), vai realizar o lançamento da campanha radiofônica “Trabalho Certo: mesmo na precisão, não caia na escravidão” com os objetivos de sensibilizar e combates ao trabalho escravo.

Foram gravados 7 produtos de áudio para serem veiculados via whatsapp, em plataformas de reprodução de áudio, em rádios comerciais e comunitárias, além de circular em redes de entidades do movimento social, como a CPT (Comissão Pastoral da Terra), a ABRAÇO-MA (Associação Brasileira de Rádios Comunitárias), entre outras.

Os principais assuntos abordados foram as formas de aliciamento de trabalhadores e o que caracteriza o trabalho escravo contemporâneo que ainda é bem frequente e continua fazendo vítimas no Maranhão.

A campanha faz parte do projeto de pesquisa “Comunicação, Migração e Trabalho Escravo Contemporâneo: trajetórias de trabalhadores (as) rurais da Baixada Maranhense”, coordenada pela professora Flávia de Almeida Moura, do Departamento de Comunicação e do Programa de Pós-Graduação em Comunicação (Mestrado Profissional) da UFMA.

O material foi gravado para ser transmitido principalmente em quatro municípios da região da Baixada Maranhense: Santa Helena, Pinheiro, Penalva e Viana. Essa região lidera os locais de origem de trabalhadores que são resgatados de condições análogas à de escravo no Brasil atualmente.

Lançamento da campanha

Cartaz de lançamento da campanha
Imagem: Reprodução/Getecom

 O lançamento da campanha vai ser realizado de forma virtual pelo Google Meet. Interessados devem se inscrever no evento gratuito clicando aqui para receber o link para entrar na sala.

Quem é a vítima de trabalho análogo a escravidão?

Trabalhador do campo deve ser senbilizado pela campanha
Foto: Reprodução/Coragro

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) apresenta um perfil com as características mais frequentes dessa pessoa: homem, negro, jovens, analfabeto ou tendo apenas até o ensino fundamental completo.

Essas vítimas são aliciadas por pessoas chamadas de “gato ou encarregado”. Os aliciadores surgem com propostas de trabalho que prometem bom salário, benefícios e a oportunidade de melhorar a vida dos trabalhadores e de suas famílias.

Mas, ao chegar ao local combinado, não há vínculo empregatício,  o trabalho é muito pesado, o alojamento não tem as condições mínimas necessárias e há casos em que até comida e água são limitadas.

A maioria dessas pessoas são chamadas para trabalhar no campo, onde até a fiscalização pelos órgãos públicos e entidades é mais difícil, por conta da distância desses locais e por serem em áreas privadas.

Outra característica muito importante é a servidão por dívida. O empregador cobra alimento e até vestimenta dos trabalhadores e depois vai descontando do salário, até que o funcionário deve mais do que recebe e não pode deixar o trabalho até que cesse a dívida.

Mulheres também são vítimas?

Mulheres também são vítimas, principalmente no trabalho doméstico.
Foto: Zanele Muholi

Segundo o Ministério Público do Trabalho, o Maranhão é o estado com maior número de mulheres nessa situação. É importante lembrar que, além do trabalho rural, existem muitas mulheres trabalhando como domésticas de forma análoga à escravidão.

Relembre casos recentes.

Como denunciar?

Se você é vítima dessa situação ou desconfia que alguém está passando por isso, o principal meio de denúncia é o disque 100.

Ministério Público do Trabalho e entidades como a Comissão Pastoral da Terra seguem trabalhando para encontrar esses casos e resgatar trabalhadores nessa situação, seja dentro do Maranhão, seja por todo o país.

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Campanha de sensibilização

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