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Alcântara vacinada é ‘conquista do movimento quilombola’

Com maior número de comunidades quilombolas do país, Alcântara se torna primeira a vacinar 100% da população adulta com a 1ª dose contra a Covid-19

“Uma conquista do movimento Quilombola no Brasil” – desta forma, a coordenadora do Movimento dos Atingidos pela Base Espacial (MABE), Dorinete Serejo, descreve a vacinação na cidade maranhense de Alcântara, maior lar de quilombolas do país. Nesta quarta-feira (16), o governador do Maranhão, Flávio Dino, comunicou que a cidade maranhense se tornou a primeira do Brasil a vacinar 100% de sua população adulta com a 1ª dose do imunizante contra a Covid-19.

Segundo o Vacinômetro do Governo do Maranhão, das 26.072 doses entregues a Alcântara, 14.628 foram aplicadas. A coordenadora da MABE conta ao Maranhão Independente que, além de a cidade estar coberta pela 1ª dose, muitas comunidades alcantarenses – inclusive a sua, Canelatiua – já estão recebendo a 2ª.

“Mesmo em algumas pessoas que tem medo da agulha, vi a alegria está recebendo a vacina”, compartilhou. “Agora diante do cenário que temos no Brasil, isso dá um alívio, uma esperança. É uma luz no fim do túnel, posso dizer assim”.

A razão para que Alcântara se tornasse a primeira completamente vacinada se deve ao fato de o município ser maioria quilombola – com mais de 200 comunidades – e este grupo ser considerado prioritário no Plano Nacional de Imunização (PNI).

Em nota pública, o MABE ressaltou a necessidade de atribuir os resultados à luta dos quilombolas de Alcântara e à Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos (CONAQ), responsável por acionar o Supremo Tribunal Federal e obrigar o Estado a incluir quilombolas brasileiros como grupo prioritário.

A ação foi ajuizada pela CONAQ juntamente com o Partido Socialista Brasileiro (PSB), o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), o Partido Comunista do Brasil (PCdoB), a Rede Sustentabilidade e o Partido dos Trabalhadores (PT). A partir dela, o Governo Federal teve um prazo de 72 horas para formar um grupo de trabalho – com representantes de comunidades quilombolas – que se tornaria responsável por monitorar a execução do plano de imunização.

Ainda segundo a nota, a MABE reconheceu o esforço dos poderes públicos municipal e estadual por administrar a vacinação, mas pontuou a falta de respostas da Prefeitura de Alcântara, da Secretaria de Estado da Saúde e da Secretaria de Estado de Igualdade Racial aos ofícios com reivindicações para que representantes das comunidades participassem deste monitoramento a nível municipal e estadual. “Houve total desprezo!”, diz a publicação. “Em outras palavras, os governos brasileiros cumprem decisão do STF. Não poderia ser outro o resultado, senão, o que se vê agora”.

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