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Deputada diz ter ficado ‘irada’ após aprovação de PL que amplia proteção a LGBTs no MA

Em sessão on-line da ALEMA, a deputada Mical Damasceno, ligada à Assembleia de Deus, repudiou projetos que contrariem seu livro sagrado

Nesta terça-feira (15), a deputada estadual ligada à Assembleia de Deus, Mical Damasceno (PTB), discursou em sessão on-line da Assembleia Legislativa do Maranhão (ALEMA) repudiando a aprovação do Projeto de Lei que obriga a notificação dos casos de violência contra a população LGBT no estado. Enquanto falava, a parlamentar chegou a levantar uma Bíblia, argumentando que projetos não podem ser aprovados caso contrariem seu livro sagrado.

Leia também: Linguagem não-binária em discussão na ALEMA

O PL 162/2021, de autoria do deputado Adelmo Soares (PCdoB), foi aprovado no último dia 9 na ALEMA e atualmente aguarda a sanção do governador. Caso sancionado, hospitais da rede pública e privada de todo o Maranhão tornam-se obrigados a notificar às autoridades, em até 24 horas, os casos de violência contra LGBTs. Assim, a polícia poderá tomar as atitudes cabíveis e os dados poderão compor estatísticas. O projeto também dá às vítimas trans e travestis o direito de escolher se usarão ou não seus nomes sociais nos Boletins de Ocorrência, no protocolo da Secretaria de Segurança Pública e do Instituto Médico Legal (IML).

“Na última sessão, foi aprovado um Projeto de Lei que me deixou muito triste, me deixou chorosa, e, confesso aos senhores e senhoras que me deixou uma mulher irada (…). Quê que é isso? Aqui [na PL] se trata de uma opção sexual, e não de gênero”, alegou Mical Damasceno na sessão da ALEMA. A deputada pega a Bíblia e leva à câmera: “esta Bíblia, a palavra de Deus, só trata de dois gêneros: macho e fêmea. Como é que nós vamos aprovar Projetos de Lei que a gente não verifica se este livro sagrado convém?” (sic.)

Em seguida, a deputada prosseguiu: “eu tenho certeza que os céus não ficaram felizes com a nossa atitude na Assembleia Legislativa. Mas eu levanto as mãos para os céus e para Deus porque eu não tenho nada a ver com esse projeto. Se ele foi aprovado, eu não vou prestar conta diante de Deus”. A deputada ainda afirma que chegou a falar com o autor do projeto para que ele não desse seguimento ao PL, mas que ele acabou prosseguindo.

Veja o vídeo na íntegra:

Conservadorismo na ALEMA

Filha do pastor Aldir Damasceno – ex-presidente da Convenção das Assembleias de Deus do Estado do Maranhão (CEADEMA) -, Mical foi eleita com forte apoio evangélico. Grande parte de sua atuação na Alema diz respeito à sua religião. No dia 10 de maio, propôs um PL que proíbe o uso da linguagem não-binária em instituições de ensino públicas e privadas do estado, referindo-se a ela como uma “modinha insana”.

Em 2019, na Assembleia Legislativa, a deputada estadual propôs uma homenagem à ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, Damares Alves, conhecida por suas declarações homofóbicas e transfóbicas. A honraria, contudo, foi recebida na Casa por um grupo de manifestantes contrários. Sob gritos e vaias, Mical afirmou na tribuna que defende “a família de macho e fêmea, a família tradicional”.

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