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Professores denunciam falta de recursos para aulas remotas em São Luís

Aulas remotas estão sendo realizadas sem a disponibilização de recursos para professores e alunos. Foto: Reprodução/Red Baloon.

Professores da Rede Municipal de Ensino de São Luís entraram em contato com a redação do portal Maranhão Independente afirmando que não está sendo dada a assistência tecnológica necessária para docentes e alunos para a realização de aulas remotas, mesmo assim a Secretaria Municipal de Ensino estaria querendo implantar o uso de recursos que limitariam ainda mais acesso de alunos às aulas.

Aulas remotas em São Luís

Por conta da pandemia e de decretos estaduais, desde agosto de 2021, as aulas na rede municipal de São Luís estão sendo realizadas de forma remota. Professores passaram a ministrar aulas por meio do aplicativo Whatsapp ou da plataforma Google Classroom.

O modelo, entretanto, gerou várias reclamações. Pais e alunos se queixavam da falta de internet e recursos (como a falta de memória no celular ou a ausência do aparelho), enquanto professores receberam apenas formações virtuais e tiveram que utilizar recursos particulares (internet, computador, celular etc) para ministrar aulas.

Como saída para atender alunos sem internet, as atividades estão sendo enviadas pela internet, mas também estão disponíveis de forma impressa nas escolas.

O ano letivo de 2021 foi iniciado no dia 1º de março e, mais uma vez, não foram entregues materiais que favoreçam as aulas online.

Mesmo assim, neste mês, professores foram convocados para participarem de formações sobre o uso das plataformas do Google (Forms, Classroom e Meet) que exigem maior uso de memória de dispositivos e melhor qualidade na internet.

Convocação de professores pela Semed
Documento da Semed

O que dizem os professores

Os professores que entraram em contato com a redação do MaInd trabalham na rede municipal há vários anos, mas relatam que esse é um dos momentos mais difíceis. Veja os depoimentos de alguns deles. As identidades não vão ser reveladas.

Angústia! Essa é a sensação que tenho desde que esse tipo de ensino começou. Angústia pelos alunos que não conseguem acompanhar as aulas como deveriam pela falta de recursos, angústia porque sinto que nós professores estamos completamente abandonados, angústia por tudo o que está acontecendo no contexto externo a escola. Estamos todos agindo como se estivesse tudo acontecendo normalmente, mas não está e todo mundo sabe disso.

M.C.

A gente não recebeu absolutamente nada. Meu computador deu problema, daí fiquei fazendo tudo pelo celular que deu problema também. Aí, no meio desse caos, a secretaria [Semed] fica pedindo relatório por cima de relatório, ainda temos o Sislame [Sistema de diário escolar eletrônico] para preencher e agora temos que migrar pra outro sistema e utilizar outras plataformas. A gente tá trabalhando o dobro e usando nossos recursos particulares.

E.M.

O povo não tem ideia dos desaforos que já ouvi só esse ano. Pais estão descontando na gente o fato de não ter memória nos celulares deles, de faltar papel pra imprimir as atividades nas escolas. Aí eu pergunto: é nossa culpa? Só o que a gente recebe é cobrança.

J. L.

O que diz o Sindicato de professores

O Sindicato dos Profissionais do Magistério da Rede Municipal de São Luís (Sindeducação) vem se manifestando para apontar todas essas problemáticas em relação a forma como está sendo empregado o ensino remoto, além de outras questões como as perdas salariais que já foram matéria no MaInd. Relembre aqui.

Veja a nota publicada na tarde de hoje (11):

⚠️ #PARALISAÇÃO DE ADVERTÊNCIA DOS PROFESSORES DE SÃO LUÍS: PELAS VIDAS E POR CONDIÇÕES DE TRABALHO.⚠️

O Sindeducação assume a responsabilidade e o compromisso de lutar para que os problemas que afligem os profissionais e a educação pública da nossa cidade sejam resolvidos e disponibilizará de todos os recursos necessários para que a categoria mostre sua força, sua indignação e lute pelos seus direitos. A paralisação de Advertência nos dias 15 e 16 de junho 2021, aprovada na última assembleia da categoria, é um ato de resistência, cujo significado primeiro é chamar a atenção da sociedade para o fato de que a educação pública pede socorro, as escolas não são depósitos de crianças, os alunos têm direito de receber os chips e tablets prometidos pela gestão passada e reafirmada pela gestão atual, para que possam ter acesso às aulas remotas e ter seu direito à educação respeitado; os professores precisam de apoio, precisam de condições dignas de trabalho e serem valorizados pois são os únicos que investiram seus salários e tempo nos recursos tecnológicos necessários para que alguma atividade pedagógica fosse realizada nesse período.

A paralisação é necessária, urgente, é legitima, e um direito do trabalhador em reivindicar melhores condições de trabalho e salário. Não vamos aceitar a intimidação e o assédio moral.

✔️ COMO VAI FUNCIONAR?

A mobilização será virtual com realização de Lives e outras atividades. Nossa recomendação inicial é que durante o período de paralisação, os professores suspendam as atividades do ensino remoto e não participem da atividade de formação agendada pela Secretaria Municipal de Educação (Semed) para o mesmo período. Tática essa usada para desmobilização dos professores. Outras ações estão sendo estudadas e posteriormente serão repassadas a categoria.

➡️ Pedimos aos filiados e filiadas que acompanhem os canais oficiais de comunicação do Sindeducação que, estaremos informando passo a passo dessa grande mobilização. Participe!

Mais detalhes deste assunto, acesse o link.

A DIRETORIA

Paralisação de professores
Imagem: Divulgação/Sindeducação

Além dessa nota, foi divulgado vídeo com fala da presidente do Sindeducação, professora Sheila Bordalo, falando sobre uma reunião realizada entre o sindicato, a Promotoria da Educação, Conselho Municipal de Educação e um representante dos pais. Assista:

Professora Sheila Bordalo, presidente do Sindeducação. Vídeo: Reprodução.

Ainda no site do sindicato, foi feita uma enquete sobre a opinião das pessoas a respeito das aulas realizadas de forma remota. Veja o resultado até o dia de hoje (11) às 17h30.

Imagem: Reprodução/Sindeducação.

O que dizem os pais

Também conversamos com alguns pais de alunos que apontaram os mesmos problemas já mencionados pelos professores:

Eu achava que a prefeitura ia dar pelo menos o chip pra gente ter internet. Porque eu arranjei o celular pro meu filho acompanhar, mas aí eu coloco 10 reais de crédito e a internet vai embora é rápido. Não dá pra eu ficar de 3 em 3 dias colocando crédito. Aí eu vou na escola pegar as folhas, mas não tem os vídeos, a explicação toda do professor. Tá uma dificuldade só.

T.R.C.S.

O único celular que tem lá em casa é o meu e eu trabalho com ele. Aí tenho dois filhos que precisam de celular pra estudar. Não tem condição. Eles só fazem as coisas da escola à noite e aí é ruim até pra tirar dúvida com o professor porque eu não vou mandar mensagem à noite, né?

E.T.R.

Uma pesquisa realizada pelo Conselho Nacional da Juventude (CONJUVE), em parceria com várias instituições, foi constatado que 4 em cada 10 jovens pensaram em parar de estudar durante a pandemia.

Os motivos identificados foram: ausência de condições financeiras para aquisição dos recursos necessários; dificuldade de aprendizado no ensino remoto; e questões que afetam a saúde mental dos alunos insônia e ansiedade, por exemplo.

Nessa pesquisa, foram ouvidos 68 mil jovens de todo o Brasil, com idade de 15 a 29 anos, entre os dias 22 de março e 16 de abril.

O que diz a Prefeitura

Entramos em contato com a Prefeitura de São Luís que enviou resposta em nota:

A Secretaria Municipal de Educação (Semed) informa que implementou a Plataforma Google For Education, com recursos modernos para o ensino remoto, em um esforço para a criação de aproximadamente 100 mil contas para alunos, professores e gestores escolares.

As formações dos professores para os recursos de ensino remoto são importantes para facilitar o uso da plataforma, melhorando o ensino e aprendizagem. Existem processos de licitação em andamento para a aquisição de recursos de suporte às atividades de ensino remoto na rede municipal de São Luís, que serão entregues assim que possível, fortalecendo cada vez mais a educação da nossa cidade.

Por fim, a Semed reforça, também, que priorizou a vacinação dos profissionais da educação contra a Covid-19, regularizou o calendário anual de aulas, nomeou novos professores para a rede de ensino municipal e deu início à entrega de escolas totalmente reformadas, em um esforço para a modernização da educação de São Luís.
Atenciosamente,

SECOM | Prefeitura de São Luís

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